Quando eu tinha uns 8 anos ficava impressionada com a capacidade que minha mãe tinha de dormir depois do almoço. Como era possível se ela tinha dormido a noite INTEIRA? Aquilo não entrava na minha cabeça. Eu queria sair, ir pro cinema, pra praia, pra vida e ela ali me pedindo 1 horinha. Para mim era 1 hora, 60 minutos, 3.600 longos segundos. Eu podia ler, assistir sessão da tarde, ir pro ballet, demorar horas montando a casa da Barbie (para em seguida cansar e desistir da brincadeira), ir pro inglês, pular elástico, brigar com a vizinha, fazer as pazes...chegava o Natal, mas não dava 8 da noite. E por minha mãe ela continuava dormindo enquanto eu cumpria minha saga de serotonina disfarçada de criança.
E tudo o que eu quero hoje é tempo...