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22/12/2011

Desejos achados e perdidos.




É claro que eu desejo que, nesta época do ano, o espírito natalino tome conta de você. Mas eu desejo muito além. Desejo que o espírito natalino tome conta de você em setembro e que o Natal aconteça pelo menos umas 14 vezes por ano. Desejo que você estoure uma garrafa de champagne muito depois da meia noite em plena terça-feira de março. E que pule não 13, mas 58 ondas. Mesmo que você não esteja perto da praia.

16/11/2011

Pequenos Notáveis

Quer acertar, faz um filme com criança. Se tiver um cachorro na história então, sucesso. Mas existe uma categoria especialíssima de filmes com crianças (e não necessariamente para elas) que não se valem da fofura. Ela pode estar lá (invariavelmente está), mas definitivamente não é gratuita.
    Valentín. Estrabismo e muito charme em versão mini.

20/10/2011

Classificados

Vendo ou alugo terreno para curtas ou longas temporadas. Para toda a vida, quem sabe. A localização é privilegiada, fica no lado esquerdo do meu peito. Perto de tudo: de dois ombros que acolhem cabeças desoladas, de costas que carregam os problemas das pessoas queridas e de uma barriga que liga automaticamente seu sistema de refrigeração assim que o novo morador chega em casa. 
O espaço é arejado, mas jamais fresco. Teve pouquíssimos proprietários. É verdade que alguns não deixaram o local num estado lá muito bom, mas as devidas reformas já foram feitas. Possui uma vista belíssima para um futuro cheio de tíquetes de trem não emitidos, músicas que ainda não existem, palavras que não estão no dicionário e cheiro de pão quente feito de um trigo que está sendo plantado.

28/09/2011

Anos Incríveis

"Eu sofro bullying...no amor!"


Eu JURO que ouvi essa frase um dia desses. Quer cair pra trás? A declarante tinha apenas 12 anos. Não, você não vai ouvir falar de bullying aqui. Keep  calm and keep reading.

O que me surpreendeu foi ter uma reação tipicamente adulta, tipo “oh, que bonitinha!”. Mas bastaram 5 minutos para fazer uma varredura em minhas gavetas internas e relembrar vivamente de tudo que passei nessa fase  8-80, melancólica, frio na barriga, desesparadora, essencialmente hiperbólica…com vocês ela, a pré adolescência.

Tá achando que é fácil ter 11 anos?







29/07/2011

Gente boa atrai gente boa

Gosto e prego isso. Papo holístico, energia, clichê? Whatever, chame do que quiser. Pensando nisso parei 5 minutinhos para lembrar de alguns exemplos. Sim, lembrei de inúmeros, uma coisa louca (depois passo a lista). Mas escolhi aqueles que lembrei de prima e que renderam parcerias incríveis, pelo menos pra mim. Pontuais ou duradouras, seguem algumas amostras:           
Penn&Vedder. E precisa de legenda?

13/07/2011

All You Need is Rock

Hey, Ho, Let's go! Hoje é o dia internacional do Rock'n Roll. Você sabe o motivo? A gente também não. Não que fosse difícil descobrir, bastava apelar para o Santo Google. Mas deu preguiça. Deu vontade mesmo foi de ouvir rock, ler rock, rir com o rock. We know, it's only Rock'n Roll... but we like it.





Para abrir o post com chave de ouro (e direito a muitos risos), um fato real escrito pelo melhor cronista de Rock'n Roll dos últimos tempos. Com vocês, Ricardo Cury (e os Dead Billies tocando fogo na Babilônia!).

06/07/2011

Dos temas que não escrevemos.

Escrever é um vício às avessas. Digo isso porque me vejo constantemente em períodos de abstinência autoral sem que tenha sido uma escolha minha, por assim dizer. E não por falta de inspiração: ela me vem aos montes, continua me fazendo visitas regulares, geralmente nas horas de ócio e tarefas mecânicas como arrumar o quarto ou tomar banho.
Em verdade, escrevi milhões de textos sobre os mais diferentes temas, dos banais aos profundos (e tantas vezes a banalidade é tão mais profunda e vice-versa). Mas escrevi apenas em pensamento, sem deixar que letras, canetas e teclas delineassem seu corpo.

20/06/2011

Velha Infância


A vida nascendo junto com a pessoa.
A vontade de andar sem ter encontrado ainda o equilíbrio.
As palavras formadas pela boca, que já produz sons mas ainda não consegue verbalizar seus desejos.
E essa angústia que indaga.
Aos 11 meses de idade, tudo bem.
Mas aos 29 anos, é normal continuar sentindo tudo isso?


Por Paula Martins

10/06/2011

Coletivo do Amor

Ah, o amor. A vontade que dá ao começar esse texto, é a de tentar descrever esse sentimento, mas sejamos sinceros: não tem nada mais clichê que tentar definir o amor (e no final, não conseguir). Mas é isso mesmo: o amor é a coisa mais clichê que inventaram. E ainda assim, consegue ser a melhor coisa do universo. Por isso que nos fascina tanto.



Que segredos, que forças encerram esse sentimento, que move o mundo? Melhor não tentar definir, pois definir uma coisa é limitá-la. E o amor não tem limites. 


Assim sendo, esse é um post coletivo, feito a 6 mãos pelas autoras desse blog, sem o objetivo de definir o amor nem nada do tipo: mas para mostrar um pouquinho da nossa maneira achada e perdida de amar. A gente ama se emocionar, ama estar junto, ama sonhar com o amor sem perder o bom humor. Porque amor se perde, sim; mas também se acha.

03/06/2011

Tangerinas.

     Uma crônica, meio conto. 
      Por Vera Romariz. Mãe da Achada Melina Romariz.
     Em cima de um ônibus, sacolejo. Caminho de João Pessoa, Paraíba.  E o lado bom, inesperado, de a cinquentona professora  voltar a ser aluna, descobrindo lugares, fazeres, horizontes. Encantada. No ônibus, o motorista dizendo em monocórdica voz que estava à disposição de todos. Pequenas ilhas de pessoas, cada uma com seus assuntos silenciados. Eu no meio. Pensando no trabalho terminado. O prazer adolescente de aprender sem sobressaltos de prazos, reuniões, enxaquecas, patrões. Analisava em pensamento um conto de Rubem Fonseca,”O cobrador”. Sem me cobrar, sorrindo feliz, abestadamente.

25/05/2011

Palavras Fortes

Eu estava passando lápis de olho e minha amiga fez uma observação:
- Até para se maquiar você escreve com força.
É verdade. Sempre escrevi com força. E essa afirmação me fez refletir sobre a óbvia (mas coerente) metáfora. Eu escrevo forte todos os aspectos da minha vida.


Assim como, desde a escola, o que escrevia no caderno marcava com força as páginas seguintes, a maneira forte como escrevo a história da minha vida não só é impossível de ser apagada como também vai me acompanhando, por mais que eu vire a página. Então eu viro a página sim, mas escrevo novas histórias em cima daquelas que não sumiram. Que me marcaram profunda e definitivamente o caderno da alma.

16/05/2011

Soneto Beijado



Dois lábios se encontram ferozes
Mas do encontro não sai briga
O que sai é saliva e língua
E gemidos, em vez de vozes

02/05/2011

Explicando o que não tem explicação.

É uma colinha que gruda do seu lado quem não está do seu lado.
É querer passar mais tempo com o olho fechado do que aberto.
É uma vontade de só dizer “ai, ai”.
É um trator compressor passando por cima do coração.
É uma lágrima que sai do peito, mas não chega no olho, e fica presa na garganta.
É a impossibilidade total de manter a cabeça e o corpo no mesmo lugar.

27/04/2011

A vida é tão rara

Quando eu tinha uns 8 anos ficava impressionada com a capacidade que minha mãe tinha de dormir depois do almoço. Como era possível se ela tinha dormido a noite INTEIRA? Aquilo não entrava na minha cabeça. Eu queria sair, ir pro cinema, pra praia, pra vida e ela ali me pedindo 1 horinha. Para mim era 1 hora, 60 minutos, 3.600 longos segundos. Eu podia ler, assistir sessão da tarde, ir pro ballet, demorar horas montando a casa da Barbie (para em seguida cansar e desistir da brincadeira), ir pro inglês, pular elástico, brigar com a vizinha, fazer as pazes...chegava o Natal, mas não dava 8 da noite. E por minha mãe ela continuava dormindo enquanto eu cumpria minha saga de serotonina disfarçada de criança.

E tudo o que eu quero hoje é tempo...


14/04/2011

Rompimento




-          Por que você ta me olhando desse jeito?

-          Não sei como dizer isso, mas... não dá. Acabou. Você precisa ir embora.

-          Você ta brincando comigo?

05/04/2011

Filmes Viedoclípiticos, Clips Cinematográficos

Filmes épicos, quando bem executados (claro), são divinos. Adoro Elizabeth. É forte como exigem os filmes do gênero, com sua estética dramática e aquela que considero uma das mulheres mais poderosas do cinema, Cate Blanchett. Ainda sobre os épicos memoráveis elejo o meu preferido: Ligações Perigosas, com uma Glenn Close ardilosa e um John Malkovich mal caráter, destilando veneno para todos os lados. Fechando o pacote filmes de época, adoro todos da Jane Austen (Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibildade, por aí vai) e Adoráveis Mulheres (este faz parte daquele “seleto” grupo de películas cujos títulos originais são muito melhores, nesse caso “Little Women”).

Agora mais do que os filmes épicos, eu tenho uma queda especial pelos épicos “transviados”.
Essa categoria tende a mesclar elementos tradicionais e modernos, armaduras e substâncias alucinógenas, tule e rock’n roll. Filmes videoclípiticos, clips cinematográficos.



28/03/2011

Marmelada de Banana

Fui criada à base de muita brincadeira e muito livro. Todo aniversário, todo Natal, era a mesma coisa: um brinquedo e uma coleção de livro. O que nunca era uma tortura, pelo contrário: era brinquedo em dobro. Lembro de torcer para a alfabetização chegar depressa para que eu pudesse ler meus livros sozinha e na hora em que bem entendesse (para alívio meu e de minha mãe, que não devia mais aguentar contar tantas histórias tantas vezes). 
Em uma dessas datas comemorativas (a essa altura eu já estava alfabetizada) chegou lá em casa a coleção completa de Monteiro Lobato. Lembro do dia como se fosse ontem. Aquela caixa de papelão enorme em cima da cama de meus pais e aquele cheiro de livro novo lá dentro. Cheiro de história da qual ainda não se sabe o final. Um dos melhores cheiros do mundo!

23/03/2011

Sintofalta





Seu cheirinho de bebê faz falta. O toque carinhoso da amiga. A fala doce.
Dançar, sorrir, brindar junto. Sessões de terapia em família.
Mesmo com todo analgésico tecnológico. E com toda a crença espiritual.
Presença faz falta. Deixar de sentir você faz falta.

Por Melina Romariz
Para a amiga e sócia blogueira Júlia.

16/03/2011

E.T., minha casa.



Eu preciso de um mundo mais resistente. Um mundo onde meus brincos não se partam na primeira tentativa de usá-los. Onde alças de sacolas não se soltem no imediato segundo que saem das lojas. Onde carros não arranhem, roupas não estraguem, copos não se quebrem. Esse mundo material, de coisas que não foram feitas para durar, não foi feito para mim.